No Brasil, a década de 1980 foi marcada por um intenso processo de mudanças relacionadas às práticas de cuidado em saúde mental, envolvendo o questionamento dos conceitos instituídos e a construção de novos referenciais teóricos e políticos no contexto da reforma psiquiátrica. Os novos modelos de serviço têm como estratégia de transformação a desinstitucionalização, que supõe a desconstrução e mudança dos saberes e práticas psiquiátricas compreendidas como um processo histórico e social de apropriação da loucura e do seu mandato social de controle e reclusão. No entanto, diante de algumas pesquisas recentes sobre a expansão e difusão da psiquiatria biológica e, principalmente, com a medicalização excessiva da sociedade, começamos a nos questionar sobre a relação entre as mudanças contemporâneas e essa “nova” forma de saber-poder. A constatação sobre a hegemonia da psiquiatria biológica no cenário atual nos levou a indagar sobre os efeitos dessa clínica na produção de subjetividade. Acreditamos que essa psiquiatria, tal como se configura na época atual, levanta questões e traz novos desafios e impasses para o processo de reforma psiquiátrica no Brasil.
19h30 - início da palestra
22h00 - término da palestra
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